RESPOSTAS SOCIAIS

Em todo o continente, as respostas sociais têm sido tão persistentes quanto as medidas de controle e as restrições de direitos que a pandemia exacerbou. Assim, sujeitos em (I)mobilidade, usando sua agência, não pararam de lutar por sua sobrevivência. Por exemplo, migrantes irregulares detidos em Laval, Canadá e em todo os Estados Unidos, iniciaram greves de fome; enquanto no México (Chiapas, Tabasco, Sonora e Coahuila) houve fortes protestos em centros de detenção pela luta por libertação. Os migrantes detidos lutam por suas vidas, pois as condições de superlotação e insalubridade na detenção representam um risco vital durante a pandemia.  Outras formas de protesto também foram registradas, como a chegada de migrantes irregulares na Comissão Nacional de Direitos Humanos no México para solicitar proteção e impedir sua deportação. Na América do Sul, enquanto isso, migrantes venezuelanos, peruanxs e bolivianxs em diferentes locais de acolhida tomaram medidas de pressão, como a criação de acampamentos em espaços fronteiriços ou do lado de fora de seus consulados para exigir atenção e assistência em seu retorno. Muitos outros optaram por caminhar contra as medidas de confinamento. Também houve protestos públicos por migrantes venezuelanxs irregulares em Bogotá, ou de trabalhadorxs migrantes em serviços de delivery em diferentes cidades, exigindo proteção durante a pandemia.

 

Ao mesmo tempo, redes de solidariedade foram tecidas entre várias organizações da sociedade civil, associações de migrantes, a igreja, organizações internacionais (ACNUR, OIM, Cruz Vermelha etc.), e com cidadãos comuns, operando em todo o continente para apoiar diretamente as pessoas em sua mobilidade. A maioria dessas redes se concentrou em fornecer-lhes alimentos, suprimentos de saúde e higiene e abrigo. As redes têm impulsionado múltiplas ações públicas, arrecadação de dinheiro, assinaturas, petições, declarações, e, até mesmo, ações judiciais. Destaca-se a articulação binacional de organizações nos Estados Unidos e no México. Outras redes também têm feito campanhas para divulgação de informações sobre o vírus, incluindo traduções de materiais em diferentes idiomas. É o caso da organização Kichwa Cañari (migrantes indígenas do Equador) nos Estados Unidos. As redes de solidariedade hoje lutam para ampliar a garantia de direitos para todos os migrantes e requerentes de asilo.

 

Finalmente, as respostas sociais, para nosso pesar, também foram xenófobas em várias partes do continente. Por exemplo, despejos de moradias para venezuelanos são registrados na região andina, embora os governos os tenham expressamente proibido.

A proposta de discussão se dará em torno da importância histórica e política que as respostas sociais têm no contexto da pandemia. Serão discutidos os diferentes tipos de respostas sociais nas Américas, o papel decisivo que as redes de luta e solidariedade dos migrantes têm como formas de resposta e questionamento abertos aos mecanismos perversos de estado e controle social; e será dada ênfase, ao mesmo tempo, à necessidade de questionar radicalmente os surtos xenófobos que proliferaram em equivalentes proporções.

Em meados de março de 2020, praticamente todos os países do continente declararam emergência sanitária, fecharam suas fronteiras e adotaram uma série de medidas excepcionais para provocar a imobilidade forçada que promete combater o vírus. Foi nesse contexto que mais de 30 pesquisadorxs das Américas, analítica e politicamente interessados ​​no tema da migração, nos reunimos virtualmente e começamos a nos perguntar sobre a situação particular de milhões de migrantes mulheres, homens, crianças e adolescentes, do continente ou de outras latitudes, todos sujeitos em movimento.

E-mail: covid19inmovilidad@gmail.com

Ideia original: Soledad Álvarez Velasco, Universidade de Houston

Coordenação geral: Soledad Álvarez Velasco, University of Houston y Ulla D. Berg, Rutgers University

Pesquisa, sistematização e desenvolvimento de conteúdos: Soledad Álvarez Velasco, University of Houston;  Ulla D. Berg, Rutgers University; Lucía Pérez-Martínez, FLACSO-Ecuador; Mónica Salmon, New School for Social Research; Sebastián León,  Rutgers University.

Coordenação de mapa polifônico: Iréri Ceja Cárdenas: Museo Nacional/ Universidad Federal de Rio de Janeiro

Assessoria do projeto: Nicholas De Genova, Universidad of Houston.

Equipe de tradução espanhol- inglês: 

Soledad Álvarez Velasco, Mónica Salmón, Ulla Berg, Luin Goldring, Tanya Basok, Ingrid Carlson, Gabrielle Cabrera.

Equipe de tradução espanhol- português: 

Iréri Ceja, Gustavo Dias, Gislene Santos, Elisa Colares, Handerson Joseph, Caio Fernandes, María Villarreal.

Design e desenvolvimento da página web: ACHU! Studio; Francisco Hurtado Caicedo, Observatorio Social del Ecuador.

Fotografía: David Gustafsson y Cynthia Briones.

Vídeo: David Gustafsson.

Alguns das e dos pesquisadores deste projeto são membros destes Grupos de Trabalho de CLACSO:

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